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Monday, May 20, 2002 :::
 
Surfar é brincar com a energia do sol, na forma de uma onda no mar.

::: posted by Luciano at 12:51 PM


 
O Surfe

“Homme libre, toujours tu chérriras la mer!...”, Charles Baudelaire.

“Agora eu já sei, da onda que seguiu no mar...” Antônio Carlos Jobim.

“A vida vem em ondas como o mar...”, Nelson Motta.




O fascínio que senti ao experimentar a sensação de surfar uma onda, é algo que nunca consegui explicar.

Até hoje, depois de tantos anos, ainda é difícil de entender direito, por quê deslizar sobre uma onda é algo tão agradável.

Desde pequeno sempre gostei do mar. Pegava onda de “jacaré” e de prancha de isopor, curtia a praia o dia inteiro, voltava pra casa, batia aquele rango super vitaminado da mamãe e caia no sono até o outro dia.

Sempre gostei de contemplar o mar, mas o espetáculo aterrador de ondas enormes quebrando, produz até hoje um fascínio único.

Certo dia, com uns seis anos, como fazia todos os fins de semana, estava na praia, e o mar tempestuoso fazia toda a turma de amigos ficar na beira, admirando as montanhas d’água explodindo em nuvens brancas ao se dissiparem na praia.

Foi quando um amigo da família, o Ian, chegou pra mim e disse: -_ Ei, moleque! Quer entrar no mar? Vamos nessa!

O Ian era um escocês, economista, executivo de multinacional, casado com uma mulher linda, filha do nosso vizinho e pai de três filhas lindas! Além disso era também exímio navegador, estava sempre indo e vindo de barco para a Escócia.

Não fossem todos estes predicados e principalmente pelas três filhas lindas, acho que jamais teria entrado naquele mar.

Já dentro d’água ele me falou: _ “Segura no meu pescoço e não solta de jeito nenhum!” E começou a nadar na direção das ondas, rumo à arrebentação.

Como sempre, lá dentro estava bem maior do que eu pensava, jamais tinha estado tão perto de uma onda daquele tamanho. Ian falava: “_ Vamos furar a onda, mergulhando por de baixo dela! Quando eu disser “já!”, respira fundo! E lá íamos nós, vum! A onda passava pesada, fazendo a maior pressão.

E outra maior ainda ameaçava

O Sol, o vento no rosto, o barulho da onda quebrando e a prancha deslizando provocam uma sensação de liberdade que nos transporta a um estado de prazer e alegria lúdicos.

Talvez seja isto, mais do que estar apenas em contato, ou em harmonia, surfar é brincar com as forças da natureza.


Nosso universo é, segundo os físicos, um imenso espaço multidimensional de ondas de energia em expansão. Tudo o que conhecemos é matéria e energia em expansão, seguindo uma determinada ordem que os cientistas procuram entender, na busca pela confirmação matemática do que chamam de Teoria do Tudo, ou “TOE” (“Theory Of Everything”).

Tudo começa com o calor do Sol que aquecendo a Terra, transferindo sua energia para as águas que evaporam, agitando o ar na dança dos ventos.

As nuvens vão surgindo e se juntando até formarem as grandes tempestades de alto mar, que desabam sobre o oceano, açoitando as águas e criando assim as ondas.

A partir daí, ao sabor do vento e das marés, uma onda pode viajar dias e dias pelo oceano, até quebrar solitária em alguma praia deserta.

Litoral é o que não falta. Fundos de pedra, de coral ou de areia, com vento contra ou à favor, na maré vazando ou enchendo, na Lua crescente ou minguante, alta ou baixa latitude, no inverno ou no verão.

Tudo isso influencia a formação de uma onda e por isso existem ondas de todo tipo e forma.

A maioria simplesmente fecha, não abrindo para lugar nenhum. Mas há as que quebram abrindo, para a direita, ou para a esquerda.

As cheias, que são as mais suaves ou as cavadas, verticais, tubulares. As longas e as curtas, as rápidas e as lentas.

Mas quando todos estes fatores estão em harmonia: quebra uma onda perfeita.

A onda perfeita é um mito para todo surfista. Um arquétipo, que pode estar em qualquer lugar do tempo e do espaço. Surfá-la é uma experiência única.

Para desfrutar desta rara forma de energia, o surfista tem de estar atento a todas as condições tempo, Lua, vento, marés, correntes e fundos. Interpretar todos os dados, para poder prever onde e quando ela vai quebrar e estar lá no exato momento para surfá-la.

Em busca da onda perfeita, o surfista aguarda pacientemente, mantendo a regularidade da pratica, nas melhores condições que estiverem ao seu alcance.





::: posted by Luciano at 12:44 PM






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